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Análise

Chile abre o sandbox ATENA: o ensaio geral do Open Finance começa agora

A CMF e o BID lançaram o ATENA, o ambiente de testes do Sistema de Finanzas Abiertas. Faltam nove meses para o início, em julho de 2027. O que muda para bancos, fintechs e quem vem depois.

· 4 min de leitura ·

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Mapa do Chile em destaque, com o título Sandbox ATENA, Sistema de Finanzas Abiertas

Em 30 de setembro de 2026, a Comissão para o Mercado Financeiro do Chile (CMF) lançou, com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o ATENA, sigla em espanhol para Ambiente Tecnológico de Experimentação e Novas Aplicações. É o ambiente em que as instituições vão testar integrações e desenvolvimentos antes de o Sistema de Finanzas Abiertas (SFA) entrar em produção, em julho de 2027.

O que foi lançado

O primeiro componente do ATENA é o Diretório de Participantes. Ele permite testar três coisas que sustentam o sistema inteiro:

  • a identificação de cada instituição participante;
  • as credenciais digitais que ela usa para se apresentar às outras;
  • as relações de confiança entre instituições, que são a base da interoperabilidade e da segurança do SFA.

A CMF convidou bancos, fintechs, empresas de tecnologia e associações do setor a usar o ATENA para testar componentes, integrações e modelos de negócio. O lançamento teve delegações dos reguladores do Peru, do Uruguai, do Equador e da Bolívia.

O desenvolvimento foi cofinanciado pelo BID dentro do APIBox, uma iniciativa de bem público digital para a região. Nas palavras da presidente da CMF, Catherine Tornel, a ideia é que o sandbox seja um espaço permanente de aprendizado e colaboração, e não só de testes.

Por que isso importa

O SFA foi criado pela Ley Fintec (Lei 21.521, de 2023) e é regulado pela NCG 514, de julho de 2024. A NCG 569, de junho de 2026, completou as regras técnicas com o Anexo Técnico nº 3 e fixou o início em julho de 2027, com entrada gradual.

As regras já previam um ambiente de testes antes da produção e um piloto de 60 dias para as APIs. O ATENA é esse caminho saindo do papel. E ele começa pelo diretório porque, sem identidade e confiança entre as partes, nenhuma API conversa com outra: a autenticação do SFA usa mTLS e certificados x509, e tudo passa pelo diretório mantido pela CMF.

Na prática, o relógio começou. Quem esperar a data de produção para fazer o primeiro teste de integração vai descobrir os problemas tarde demais.

O calendário até 2030

  • 2º semestre de 2026: Anexo nº 4, com os limites de custo e as cobranças entre instituições (ainda previsto).
  • Julho de 2027: entrada em vigor do SFA.
  • Dezembro de 2027: bancos e emissores de cartões abrem as APIs de termos, condições e canais de atendimento.
  • Abril de 2028: dados cadastrais, posições e transações de pessoas físicas.
  • Julho de 2028: dados de pessoas jurídicas e iniciação de pagamento único de pessoas físicas.
  • Janeiro de 2029: iniciação de pagamento de pessoas jurídicas com mandato múltiplo e pagamentos recorrentes.
  • Março de 2029 a janeiro de 2030: seguradoras, administradoras de fundos e as demais instituições do artigo 18, de 20 a 30 meses depois do início.

O que muda para cada instituição

Bancos e emissores de cartões. São os primeiros da fila. O ATENA é a chance de validar a integração com o diretório e o fluxo de certificados antes de dezembro de 2027, quando as primeiras APIs precisam estar no ar. O piloto de 60 dias deixa pouca margem: o que não for testado agora vira risco de prazo depois.

Fintechs que vão usar dados ou iniciar pagamentos. Quem quer atuar como prestador de serviços baseados em informação ou como iniciador de pagamentos precisa se registrar na CMF. Testar cedo no ATENA ajuda a chegar ao registro com a integração pronta e a validar o modelo de negócio com o fluxo real de consentimento, e não com um desenho no papel.

Seguradoras, administradoras de fundos e cooperativas. A obrigação chega entre 2029 e 2030, mas o diretório e as credenciais são os mesmos para todos. Usar o ATENA agora é aprender com os primeiros sem a pressão do prazo.

Instituições com menos de 100 mil clientes. Podem participar de forma simplificada, só com a API de canais de atendimento. Vale confirmar no sandbox se esse é mesmo o caminho mais barato para o seu caso.

O que fazer agora

  1. Definir o papel da instituição no SFA: quem fornece informação, quem mantém contas de pagamento, quem vai usar dados ou iniciar pagamentos.
  2. Pedir acesso ao ATENA e testar a identificação e as credenciais no Diretório de Participantes.
  3. Revisar a infraestrutura de certificados e mTLS com o time de segurança, antes das APIs de negócio.
  4. Montar o plano até dezembro de 2027, de trás para frente, contando os 60 dias de piloto.
  5. Acompanhar o Anexo nº 4, que define custos e cobranças entre instituições e mexe diretamente na conta do business case.

A leitura regional

O ATENA não é só um projeto chileno. Ele foi feito dentro de uma iniciativa regional do BID, e a presença dos reguladores do Peru, do Uruguai, do Equador e da Bolívia no lançamento indica que o modelo pode servir de referência para quem ainda está desenhando o próprio Open Finance. Para instituições que operam em mais de um país, o padrão de diretório, credenciais e confiança testado no Chile tende a reaparecer.


No Catalis, o ATENA já aparece nas obrigações do Chile como o passo "Passar pelo sandbox antes da produção", com o calendário acima e o aviso quando a CMF publicar o Anexo nº 4.

Fonte: comunicado da CMF de 30/09/2026.

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